Chata, ciumenta e estranha . Eu sou assim . - Clarice Lispector .

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Se eu fosse você eu faria as malas e ia morar comigo.

(Fonte: umapequenapoeta, via 1amoramais)

Texto postado em 1/06/2012 às 11:02pm | 2 401 notas | (reblogue this!)


Vídeo postado em 1/06/2012 às 2:17pm | 928 notas | (reblogue this!)


Vídeo postado em 1/06/2012 às 2:12pm | 6 091 notas | (reblogue this!)

Se o homem realmente gosta, ele vai até o inferno por você. Ele vai sim, e ainda abraça o capeta se for preciso. Sabe por quê? Porque homens são previsíveis, se eles querem eles querem, se não querem, não querem. A raça dos homens não é complexa igual a nós mulheres, que sempre temos dúvidas, que sempre analisamos, pensamos, colocamos mil problemas e tal. Homem é tudo igual. Eu sei é clichê, mas é a mais pura verdade. Quando o cara quer, não tem distância, problemas, família, trabalho, tempo, futebol, estudo, mãe, unha encravada, barba por fazer, celular sem bateria, chuva, temporal, falta de dinheiro que o impeça de estar com você. É simples. É a realidade.

— Tati Bernardi     (via sociedaderetardada)

(Fonte: gangste-r, via 1amoramais)


Quote postado em 1/06/2012 às 2:07pm | 4 996 notas | (reblogue this!)

Fala pra ela. Fala que você gosta da sua voz irritante, fala que você gosta do seu sorriso. Fala que gosta do modo como ela se expressa, um tanto errado e exagerado. Fala pra ela, vai. Fala que você acha graça das piadas sem graça e do modo que ela desvia ao olhar quando você insiste em confrontá-la. Fala pra ela que você gosta do seu perfume, fala pra ela que você ama a cor dos seus olhos. Fala pra ela o quanto ela é importante. Fala pra ela, vai garoto. Não faz ela desistir não, porque depois que ela cansar… Não tem nada que a faça voltar.

— Fernanda A (via f-ixation)

(via 1amoramais)


Quote postado em 1/06/2012 às 2:03pm | 416 notas | (reblogue this!)


Vídeo postado em 1/06/2012 às 2:00pm | 31 858 notas | (reblogue this!)

Deus, me perdoe por todas as vezes que fui dormi sem ao menos agradecer por mais um dia de vida.

(Fonte: tudoporumavida, via realidade-oculta)

Texto postado em 1/06/2012 às 2:00pm | 8 808 notas | (reblogue this!)

Queria sumir um pouco, um século por exemplo.

(Fonte: teu-marido, via pensamentos-escondidos)

Texto postado em 31/05/2012 às 9:28pm | 3 217 notas | (reblogue this!)
daltonismo:

  Aos seis anos, Catarina ganhou uma boneca. O cachorro comeu-lhe a cabeça e ao invés de chorar, como qualquer criança normal faria, ela atirou o pobre cão pela janela.
  Desde então começaram as idas ao psiquiatra. Em algumas consultas agarrava-se nas pernas e balançava-se, como autista. Não era esse o problema, na verdade estava bem longe disso. Catarina era muito comunicável, até demais. Gritava, com os olhos em chamas, para ir embora, chegava perto da janela e batia a cabeça no vidro, amaldiçoava quem fosse que chegasse perto e apenas com remédios fortes era possível pará-la. Ela tinha um gênio que eu nunca entenderei completamente.
  Os olhos azuis-esverdeados eram tão claros que às vezes eu me via refletido nela, embora a minha calmaria se contrapusesse com a fúria que ela era. Após tantos anos ela continuava odiando coisas quebradas, como se o estrago lhe causasse dor. Seus cabelos ruivos chegavam quase a cintura, pois odiava cortá-los. Quase furou o olho uma vez quando tentou lutar contra a tesoura.
    - Amor… - ela me chamou durante a noite. - ‘Tô com fome.     - Quer comer o que, bem?     - Eu não sei, um misto-quente? - ela sorriu.     - Eu faço.
  Desci à cozinha e suspirei. Faziam meses que as coisas estavam calmas. A calmaria me fazia bem, mas tinha medo de como seria quando esses dias acabassem. Eu sabia que era assim, por um tempo ela se acalmava, mas a doença sempre acabava voltando. Sorri enquanto preparava o misto, lembrando de como tudo começou…
    - Você tem belos olhos. - eu disse.     - Oh. - ela riu. - Obrigada, que gentil.     - São verdes ou azuis? - perguntei.     - Uma mistura dos dois, eu acho. Um pouco de cada, depende do dia. - e ela riu de novo.     - São lindos.     - Obrigada. Eu gostei da sua barba. - ela comentou, rindo. Eu mantinha sempre a barba muito bem aparada, era castanha como meus cabelos e olhos. Depois de tanto tempo, faz sentido porque ela me escolheu. Sempre fui muito organizado e cuidadoso.
  O cheiro de queimado me trouxe de volta ao presente e meus olhos aregalaram-se ao ver toda aquela fumaça.
    - Não, não, não… ! – eu fui dizendo enquanto a sanduicheira ia para debaixo da torneira, o pão para o lixo e usava bom-ar na cozinha para tirar o cheiro de queimado. Suspirei e comecei todo o processo novamente.
  Quando voltei para o quarto ela dormia.
    - Cat. – eu a acordei.    - Oi, amor. Obrigada. – ela sorriu.
  Passei-lhe seus remédios e ela tomou-os sem reclamar. Os olhos tempestuosos de repente calmos eram gentis nos meus enquanto ela me analisava. Tocou levemente em meu nariz e sorriu.
    - Gosto do seu nariz.
  Eu ri.
    - Por que? – perguntei.    - Porque sim. É reto, alinhado, sem marcas ou pintas. Apenas possui algumas sardas aqui do lado – ela dizia enquanto acompanhava os meus tais traços com os dedos – e elas são lindas.    - A única linda presente aqui é você, Cat. Coma, vai.
  Ela sorriu. Os dias estavam assim… tão calmos. Quando estava pegando no sono novamente, ela me chamou.
    - Diego?    - Sim, Cat?    - Eu já disse que te amo? – podia ouvir o sorriso em sua voz.    - Já, amor. – eu ri – Você está toda romântica hoje, hein?    - Acho que esse é o problema, Di. Eu não te digo com muita frequência. – sua voz de repente tornou-se triste.    - Não existe problema, Cat. Não veja coisa onde não existe, está bem?     - Eu te amo. Por tudo, por me aceitar como sou, por me amar do jeito que sou, por me cuidar… por ser quem você é, simplesmente. – ela disse enquanto se aninhou nos meus braços e adormeceu.
  Já me disseram que depois de uma tempestade, vem uma calmaria. Concordo plenamente, após as tempestades da Cat muitas vezes pensei que fosse morrer com tanta “telha voando”, mas a calmaria que veio logo depois – como a de agora – alivia. Após uma tempestade, uma calmaria, mas e depois da calmaria? Que esperar? Tenho medo de ventos, tornados, furacões. Assim como Catarina possuía seus temores, eu também tinha os meus. 
  Acordei com os berros dela, no banheiro. Abri os olhos, assustado, e percebi que lá fora caía uma terrível tempestade. Galhos voavam e a chuva caía em rajadas, as janela chegavam a tremer. Levantei correndo e a porta do banheiro estava trancada. Soquei-a e ela continuava gritando lá dentro.
    - A água está fria! Fria, fria, cadê a luz?! Diego, a luz, a luz!! – ela gritava continuamente, em desespero.    - Cat, a porta. Abra a porta. – eu falei, controlando a voz. Sabia que gritar não iria ajudá-la a acalmar-se.     - A luz, a luz! A água ‘tá fria!! DIEGO!! – ela continuava gritando.
  Arrombei a porta. Meu braço direito queimava de dor, mas isso pouco importava. Ela estava nua, agarrada aos joelhos, sentada no chão e encostada no balcão da pia. Seus olhos furiosos transbordavam lágrimas enquanto ela me olhava assustada.
    - Quebrou, Di. ‘Tá quebrado, o chuveiro tá quebrado, a água saiu gelada, cadê a luz?! – ela continuava gritando.    - Vem, Cat. Tá tudo bem. – eu disse agachando-me e olhando-a nos olhos. A calmaria do meu olhar castanho invadiu o seu azul – estavam azuis hoje – e ela se abraçou em mim. Peguei-a no colo e levei-a para a cama. Ela parecia ter-se acalmado. Acendi algumas velas e ela sorriu. 
  Limpou as lágrimas com as costas da mão e encostou a cabeça no travesseiro. Fechou um pouco os olhos e pareceu dormir, quando de repente abriu os olhos, esbugalhando-os e gritando novamente:
    - A porta! Diego, a porta, a porta ‘tá quebrada!!     - Eu sei, Cat, se acalma, amor. Eu precisei arrombar pra te tirar de lá. – respondi calmo, minha cabeça já girando com a dor do braço. Acho que quebrei alguns vidros. Sentia o sangue escorrer até os dedos.    - Seu braço… Seu braço, seu braço!! – ela continuava gritando.    - Calma, Catarina! – quem gritou agora fui eu. Percebi na hora que me arrependeria disso – ‘Tá tudo bem, amor, se acalma!
  Ela olhou para mim por uns instantes, os olhos já avermelhados. 
    - Aaaaaaaaaah! – ela gritou, fechando os olhos com força e cerrando os punhos. Começou a bater na própria cabeça.
  A calmaria do meu olhar agora parecia não surtir efeito algum após meu grito e eu a peguei pelos braços, tentando aninhá-la, como uma criança. Algumas vezes funcionou, mas ela foi rápida. Desvencilhou-se de minhas mãos e saiu correndo do quarto, sua nudez não causando os mesmos efeitos que já causou outras vezes. Era perturbador, ela era tempestade, era ventania, era a mais pura fúria. Suspirei baixinho e percebi em meus próprios olhos lágrimas se formando. Faziam anos que eu não chorava e era estranho. Uma sensação muito, muito esquisita, porém boa. Era aliviante.
  Podia ouvir os soluços angustiantes de Cat, ela estava com muita raiva. Ouvia-a jogando panelas contra a parede, quebrando louças de vidro, gritando enquanto destruía nossa cozinha. Desci ao seu encontro e ela me lançou um olhar terrivelmente triste.
    - A quebrada sou eu. – ela falou, finalmente, sem gritos. Começou a soluçar novamente. – A errada sou eu e não o mundo. A errada sou eu…    - Eu estou aqui, Cat. Tudo vai ficar bem, ok? – eu disse, me aproximando devagar. A cozinha estava devastada, havia vidro por tudo e sua pele estava cortada em várias partes. Havia sangue debaixo de seus pés, os cabelos grudados no rosto, gotas de suor escorrendo. Ela continuava chorando.    - Seus olhos… eu te fiz chorar, não foi? – ela perguntou, chorando ainda mais.    - Não foi você. Chorei por preocupação, apenas isso.    - A quebrada sou eu. A quebrada sou eu… – ela continuava repetindo. – Não quero ser assim. Se for pra ser quebrada, que seja por inteiro.    - Cat. – ela me ignorava e evitava meus olhos. – Catarina Emmel.
Ela levantou os olhos devagarinho e seus lábios formaram um biquinho.
    - Não pense nisso. Está bem? não pense! – eu falei subindo um pouco o tom. Ela sorriu e me abraçou, ainda soluçando de vez em quando.    - A quebrada… sou eu. – ela suspirou e desmaiou.
  No hospital, uma nota em cima das flores, jogadas sobre o lençol. Meus dedos tremiam enquanto o pequeno papel com a letra perfeita de minha esposa me analisava, como se tivesse vivos olhos, vermelhos como fogo, como a tinta da caneta que ela escolheu usar.
    Querido Diego:
  Se for para ser quebrada, prefiro ser quebrada por inteiro. Espero que você, pelo menos você, me entenda. Espero que cuide do seu braço. Seus olhos castanhos continuam me encantando. Eu te amo. Da sempre sua,
        Catarina.
  A janela do seu quarto estava completamente quebrada, eu ouvia sirenes lá embaixo. Fechei os olhos e derrubei as xícaras com café. Lágrimas se formaram em meus olhos e logo transbordaram. Me encharcaram, enquanto meu mundo girava.
  O quebrado… 
                                 Agora sou eu.
(Hannah Schröer)
 

daltonismo:

  Aos seis anos, Catarina ganhou uma boneca. O cachorro comeu-lhe a cabeça e ao invés de chorar, como qualquer criança normal faria, ela atirou o pobre cão pela janela.

  Desde então começaram as idas ao psiquiatra. Em algumas consultas agarrava-se nas pernas e balançava-se, como autista. Não era esse o problema, na verdade estava bem longe disso. Catarina era muito comunicável, até demais. Gritava, com os olhos em chamas, para ir embora, chegava perto da janela e batia a cabeça no vidro, amaldiçoava quem fosse que chegasse perto e apenas com remédios fortes era possível pará-la. Ela tinha um gênio que eu nunca entenderei completamente.

  Os olhos azuis-esverdeados eram tão claros que às vezes eu me via refletido nela, embora a minha calmaria se contrapusesse com a fúria que ela era. Após tantos anos ela continuava odiando coisas quebradas, como se o estrago lhe causasse dor. Seus cabelos ruivos chegavam quase a cintura, pois odiava cortá-los. Quase furou o olho uma vez quando tentou lutar contra a tesoura.

    - Amor… - ela me chamou durante a noite. - ‘Tô com fome.
    - Quer comer o que, bem?
    - Eu não sei, um misto-quente? - ela sorriu.
    - Eu faço.

  Desci à cozinha e suspirei. Faziam meses que as coisas estavam calmas. A calmaria me fazia bem, mas tinha medo de como seria quando esses dias acabassem. Eu sabia que era assim, por um tempo ela se acalmava, mas a doença sempre acabava voltando. Sorri enquanto preparava o misto, lembrando de como tudo começou…

    - Você tem belos olhos. - eu disse.
    - Oh. - ela riu. - Obrigada, que gentil.
    - São verdes ou azuis? - perguntei.
    - Uma mistura dos dois, eu acho. Um pouco de cada, depende do dia. - e ela riu de novo.
    - São lindos.
    - Obrigada. Eu gostei da sua barba. - ela comentou, rindo. Eu mantinha sempre a barba muito bem aparada, era castanha como meus cabelos e olhos. Depois de tanto tempo, faz sentido porque ela me escolheu. Sempre fui muito organizado e cuidadoso.

  O cheiro de queimado me trouxe de volta ao presente e meus olhos aregalaram-se ao ver toda aquela fumaça.

    - Não, não, não… ! – eu fui dizendo enquanto a sanduicheira ia para debaixo da torneira, o pão para o lixo e usava bom-ar na cozinha para tirar o cheiro de queimado. Suspirei e comecei todo o processo novamente.

  Quando voltei para o quarto ela dormia.

    - Cat. – eu a acordei.
    - Oi, amor. Obrigada. – ela sorriu.

  Passei-lhe seus remédios e ela tomou-os sem reclamar. Os olhos tempestuosos de repente calmos eram gentis nos meus enquanto ela me analisava. Tocou levemente em meu nariz e sorriu.

    - Gosto do seu nariz.

  Eu ri.

    - Por que? – perguntei.
    - Porque sim. É reto, alinhado, sem marcas ou pintas. Apenas possui algumas sardas aqui do lado – ela dizia enquanto acompanhava os meus tais traços com os dedos – e elas são lindas.
    - A única linda presente aqui é você, Cat. Coma, vai.

  Ela sorriu. Os dias estavam assim… tão calmos. Quando estava pegando no sono novamente, ela me chamou.

    - Diego?
    - Sim, Cat?
    - Eu já disse que te amo? – podia ouvir o sorriso em sua voz.
    - Já, amor. – eu ri – Você está toda romântica hoje, hein?
    - Acho que esse é o problema, Di. Eu não te digo com muita frequência. – sua voz de repente tornou-se triste.
    - Não existe problema, Cat. Não veja coisa onde não existe, está bem?
    - Eu te amo. Por tudo, por me aceitar como sou, por me amar do jeito que sou, por me cuidar… por ser quem você é, simplesmente. – ela disse enquanto se aninhou nos meus braços e adormeceu.

  Já me disseram que depois de uma tempestade, vem uma calmaria. Concordo plenamente, após as tempestades da Cat muitas vezes pensei que fosse morrer com tanta “telha voando”, mas a calmaria que veio logo depois – como a de agora – alivia. Após uma tempestade, uma calmaria, mas e depois da calmaria? Que esperar? Tenho medo de ventos, tornados, furacões. Assim como Catarina possuía seus temores, eu também tinha os meus.

  Acordei com os berros dela, no banheiro. Abri os olhos, assustado, e percebi que lá fora caía uma terrível tempestade. Galhos voavam e a chuva caía em rajadas, as janela chegavam a tremer. Levantei correndo e a porta do banheiro estava trancada. Soquei-a e ela continuava gritando lá dentro.

    - A água está fria! Fria, fria, cadê a luz?! Diego, a luz, a luz!! – ela gritava continuamente, em desespero.
    - Cat, a porta. Abra a porta. – eu falei, controlando a voz. Sabia que gritar não iria ajudá-la a acalmar-se.
    - A luz, a luz! A água ‘tá fria!! DIEGO!! – ela continuava gritando.

  Arrombei a porta. Meu braço direito queimava de dor, mas isso pouco importava. Ela estava nua, agarrada aos joelhos, sentada no chão e encostada no balcão da pia. Seus olhos furiosos transbordavam lágrimas enquanto ela me olhava assustada.

    - Quebrou, Di. ‘Tá quebrado, o chuveiro tá quebrado, a água saiu gelada, cadê a luz?! – ela continuava gritando.
    - Vem, Cat. Tá tudo bem. – eu disse agachando-me e olhando-a nos olhos. A calmaria do meu olhar castanho invadiu o seu azul – estavam azuis hoje – e ela se abraçou em mim. Peguei-a no colo e levei-a para a cama. Ela parecia ter-se acalmado. Acendi algumas velas e ela sorriu.

  Limpou as lágrimas com as costas da mão e encostou a cabeça no travesseiro. Fechou um pouco os olhos e pareceu dormir, quando de repente abriu os olhos, esbugalhando-os e gritando novamente:

    - A porta! Diego, a porta, a porta ‘tá quebrada!!
    - Eu sei, Cat, se acalma, amor. Eu precisei arrombar pra te tirar de lá. – respondi calmo, minha cabeça já girando com a dor do braço. Acho que quebrei alguns vidros. Sentia o sangue escorrer até os dedos.
    - Seu braço… Seu braço, seu braço!! – ela continuava gritando.
    - Calma, Catarina! – quem gritou agora fui eu. Percebi na hora que me arrependeria disso – ‘Tá tudo bem, amor, se acalma!

  Ela olhou para mim por uns instantes, os olhos já avermelhados.

    - Aaaaaaaaaah! – ela gritou, fechando os olhos com força e cerrando os punhos. Começou a bater na própria cabeça.

  A calmaria do meu olhar agora parecia não surtir efeito algum após meu grito e eu a peguei pelos braços, tentando aninhá-la, como uma criança. Algumas vezes funcionou, mas ela foi rápida. Desvencilhou-se de minhas mãos e saiu correndo do quarto, sua nudez não causando os mesmos efeitos que já causou outras vezes. Era perturbador, ela era tempestade, era ventania, era a mais pura fúria. Suspirei baixinho e percebi em meus próprios olhos lágrimas se formando. Faziam anos que eu não chorava e era estranho. Uma sensação muito, muito esquisita, porém boa. Era aliviante.

  Podia ouvir os soluços angustiantes de Cat, ela estava com muita raiva. Ouvia-a jogando panelas contra a parede, quebrando louças de vidro, gritando enquanto destruía nossa cozinha. Desci ao seu encontro e ela me lançou um olhar terrivelmente triste.

    - A quebrada sou eu. – ela falou, finalmente, sem gritos. Começou a soluçar novamente. – A errada sou eu e não o mundo. A errada sou eu…
    - Eu estou aqui, Cat. Tudo vai ficar bem, ok? – eu disse, me aproximando devagar. A cozinha estava devastada, havia vidro por tudo e sua pele estava cortada em várias partes. Havia sangue debaixo de seus pés, os cabelos grudados no rosto, gotas de suor escorrendo. Ela continuava chorando.
    - Seus olhos… eu te fiz chorar, não foi? – ela perguntou, chorando ainda mais.
    - Não foi você. Chorei por preocupação, apenas isso.
    - A quebrada sou eu. A quebrada sou eu… – ela continuava repetindo. – Não quero ser assim. Se for pra ser quebrada, que seja por inteiro.
    - Cat. – ela me ignorava e evitava meus olhos. – Catarina Emmel.

Ela levantou os olhos devagarinho e seus lábios formaram um biquinho.

    - Não pense nisso. Está bem? não pense! – eu falei subindo um pouco o tom. Ela sorriu e me abraçou, ainda soluçando de vez em quando.
    - A quebrada… sou eu. – ela suspirou e desmaiou.

  No hospital, uma nota em cima das flores, jogadas sobre o lençol. Meus dedos tremiam enquanto o pequeno papel com a letra perfeita de minha esposa me analisava, como se tivesse vivos olhos, vermelhos como fogo, como a tinta da caneta que ela escolheu usar.

    Querido Diego:

  Se for para ser quebrada, prefiro ser quebrada por inteiro. Espero que você, pelo menos você, me entenda. Espero que cuide do seu braço. Seus olhos castanhos continuam me encantando. Eu te amo. Da sempre sua,

        Catarina.

  A janela do seu quarto estava completamente quebrada, eu ouvia sirenes lá embaixo. Fechei os olhos e derrubei as xícaras com café. Lágrimas se formaram em meus olhos e logo transbordaram. Me encharcaram, enquanto meu mundo girava.

  O quebrado…

                                 Agora sou eu.

(Hannah Schröer)

 

(via desapropria-me)


Photo postado em 31/05/2012 às 9:28pm | 61 notas | (reblogue this!)

Coloquei todas as lembranças, do nosso tempo bom, dentro de uma caixinha… Sua camisa com seu cheiro, sua foto, a flor que você me deu, ta tudo guardado numa caixinha, e bem fechado pra quando eu ficar mal não abrir, só abrir quando eu não estivesse mais suportando de saudade daquele tempo! Mas eu não to suportando mais a saudade, preciso sentir seu cheiro na camisa todos os dias, pra tentar sorrir, nem que seja por pouco tempo…

Texto postado em 31/05/2012 às 9:18pm | 0 notas | (reblogue this!)
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